Olá…
Estou criando coragem e forças para escrever aqui… como de costume partilho aqui no blog, acontecimentos da minha vida, quem dera que essas partilhas fossem somente de acontecimentos fantásticos e bons… infelizmente a vida não é assim.
No dia 04/12, recebi uma das piores notícias da minha vida. Neste dia trabalhei até as 17h, fiz o que pequeno percurso de quase 1h30m até em casa, e logo que entrei o telefone tocou, era minha mãe pedindo para que eu fosse para casa dela urgente, pois tinha acontecido algo muito grave. Naquele momento passaram milhões de coisas na minha cabeça, mais mesmo assim insisti pois queria saber o que estava acontecendo e ela me repetiu a mesma frase com mais insistência ainda. Eu como sou teimoso insisti mais ainda com ela pra que ela me dissesse o que esta acontecendo. Ela não disse a mesma frase, mas me perguntou se eu estava preparado. Ali pude perceber que algo bem sério havia acontecido, e sem pensar respondi que estava preparado para ouvir o que ela tinha pra dizer… Nem podia imaginar, não tinha como imaginar. Quando ela me perguntou se eu estava preparado, logo imaginei algo sobre morte, cheguei até pensar que meu pai tinha morrido. E Ela me deu a notícia dizendo que o Alan (meu irmão) tinha morrido.
Desliguei o telefone e por instantes pensei que ia ficar louco, parecia mentira, entrei em pânico, tremia e chorava demais… logo comecei avisar alguns amigos e fui para casa dos meus pais… Encontrá-los foi doloroso demais… Meu pai estava todo sério, pedindo pra mim não chorar que não ia resolver nada, mais era visível o tanto que estava abalado. Minha mãe chorava e quando nos abraçamos então… eu e ela choramos demais… Não tínhamos tempo pra ficar ali sofrendo, tínhamos que nos preparar para ir para a Praia Grande, aonde estava o corpo do Alan, pois ele tinha ido fazer “apenas um bate e volto” com os amigos e infelizmente acabou morrendo afogado.
Graças ao contato com a funerária, fui informado que o IML da Praia Grande já estava fechado e só abriria novamente na manhã do dia 05/12 e que seria inútil irmos pra Praia aquela hora. Tinhamos que esperar até a manhã seguinte. Apenas uma amigo da família desceu para buscar o carro do Alan e seus pertences.
Como é difícil dar notícia de morte para as pessoas, tive que ouvir diversas pessoas me perguntando se eu estava brincando, que eu estava mentindo (quem me dera) o susto e o choque causavam essas reações eu sei… logo muitas pessoas começaram a chegar na casa dos meus pais… parentes, amigos, pessoas queridas, querendo nos confortar… é muito estranho… estavamos todos em choque, não conseguiamos acreditar no que tinha acontecido… eu por exemplo tinha falado com ele no dia anterior, e falamos sobre muitas coisas… não podíamos imaginar nada disso…
Fiquei até de madrugada com meus pais, até terminar de acertar tudo no cemitério, escolher o caixão, os detalhes de buscar o corpo (graças a Deus tem internet hoje, não precisei nem sair de casa). Na volta pra casa com o Zé Orlando e a Line fomos falando do Alan, do seu jeito do seu temperamento… no meu coração uma profunda raiva, por tão pequena idiotice de ter permanecido no mar agitado e ter sido levado pela onda… chegando em casa fiquei conversando com a Zi, e logo fomos dormir pois ás 7h o agente funerário me pegaria e me levaria até o IML da Praia Grande, meus planos era que os meus pais não fossem, para evitar mais desgaste pra eles… perdi a hora e eles vieram me pegar em casa… quem estava junto??? meu pai (que surpresa pra mim, achei que ele nem iria levantar da cama)… ao invés de irmos no carro da funerária fomos com o Zé Orlando… nunca fui a praia, nunca desci a Serra… desci pela 1ª vez aquele dia pra buscar o corpo do meu irmão… o caminho até lá foi muito triste… comecei a me lembrar de tudo…
Me lembrei de quando tinha 8a nos e deseja muito um irmão, e que logo veio a confirmação de que eu o teria… me lembro da gestação inteirinha da minha, as vezes que ela passou mal, das idas ao médico (das broncas que ela levava da médica), das vezes que ela não conseguia me levar escola…
Me lembrei do dia em que o Alan nasceu, quando fui buscar ele no hospital e quando chegamos na porta de casa saí correndo, sentei ansiosamente no sofá e estindi os braços para segurá-lo, pois naquele hora eu já tinha um irmão…
Me lembrei quando ele chorou ainda recém-nascido e eu bati nele pra ele calar a boca (kkkkkkkkkkk tinha só 9 anos)…
Me lembrei da nossa infância, das nossas brincadeiras, do ovo com açucar que eu fazia pra ele (kkkkkkkkk ele nem sabia), das vezes que eu chegava do serviço de madrugada e ele queria me contar o seu dia, eu dizendo pra ele: “Alan não quero saber” e ele pequeno me respondendo: “problema seu eu vou falar”… Alan sempre foi abusado…
Me lembrei das vezes que ele foi pra casa, quando conheceu meus sogros, quando experimentou a comida pela 1ª vez, me lembrei de quando ele conheceu o Samuca, de como os dois brincavam… literalmente 2 crianças…
Me lembrei das primeiras experiências profissionais, das mudanças fisiológicas, psicológicas e emocionais…Alan cresceu tão rápido, tão derepente, já não cabia mais na nossa mão e nem seguia as nossas ordens… (isso é terrível para os irmãos mais velhos) Hoje já era um homem, já tinha seu carro, seus amigos, suas minas… e muitas vezes até parecia que se esquecia de nós (cíumes kkkkk)
Me lembrei do quanto ele era bom e sempre me defendia…. seja qual fosse a situação…
Chegando no IML da Praia Grande, infelizmente pude constatar que realmente era verdade, o Alan estava morto, não era um engano. Dali tivemos que ir até Mongaguá, registrar o óbito, depois retornar para a Praia Grande, liberar o corpo e seguir de volta pra São Paulo… e assim fizemos… o corpo foi pra funerária em Itapecerica e nos pra casa pra buscar minha mãe… Chegamos em casa ja era 13h, foi só o tempo de pegar as coisas e correr pro cemitério, pois o corpo chegaria lá por volta das 14h30m… chegando no cemitério fui com o meu pai terminar de acertar as coisas do cemitério, fazer os pagamentos… enquanto estavamos na Administração o corpo chegou…ali meu chão desapareceu… me segurei ao máximo ali… quando desci ao ver a Zi, o Samuca e a Mari não aguentei desabei a chorar… quanto entrei na sala de velório, não sei nem explicar o que senti… era meu irmãozinho que estava ali… ele parecia uma criança… E durante umas 2 horas permanecemos ali no despedindo dele…
Ao se aproximar do horário do sepultamento, rezamos pedindo ao Senhor que tivesse Misericórdia de sua alma e o acolhesse no Céu… me lembrei de quando minha mãe o consagrou a N. S. Aparecida quando ele ficou muito doente… e lembrei da promessa de N. Senhora… que aqueles que fossem consagrados a Ela, no dia dedicado a N. Senhora (sábado) ela já levaria ao céu… O Alan morreu num sábado… e eu creio nesta promessa e tenho certeza de que ele já se encontra no céu…
Por fim o sepultamento, bem na hora estava uma chuva torrencial (o céu estava compartilhando a nossa dor) … pensei que ninguem ia acompanhar o corpo… mais todos queriam dar o seu último “adeus” ao Alan. Como foi bom ver o quanto o Alan era querido, pelos vizinhos, amigos de tantos lugares diferentes…
Em meu coração há muitos sentimentos… cada dia que passa parece pior, muita saudade do “nariz da humanidade” como eu o chamava… fico me perguntando porque ele foi fazer esse “bate e volta” que tirou sua vida… Ficamos no “talvez” “talvez” e talvez… Agora só nos resta saudades e muitas lembranças. Somos muito gratos a Deus por ele ter feito parte das nossas vidas e ainda continua em nossos corações… esse menino marcou a nossa história… e finalmente cumpriu o seu “bate e volta na terra” e retornou ao céu… pois lá é o nosso destino, o nosso lugar…
“Lan, sentiremos eternas saudades de você, mais tenho a certeza que um dia te encontraremos no céu, é isso já nos consola… Te Amamos muito… Déu, Zira, Samuca e Mari….”



